

Sentada na calçada observava a movimentação, pessoas apressadas, carros de luxo e os mais saudáveis de bicicleta passavam percebidos ao meu olhar. Não sabia o motivo pelo qual eu me encontrava ali, mas precisava de algum modo. Era um ótimo lugar para roer unhas e perceber o quão sujo e velho se encontrava o meu allstar. Eu fiz a terrível burrada de querer penetrar ao intimo das pessoas que por mim vinham a passar. Fazer a mim mesma aquelas perguntas idiotas que nunca terão uma resposta concreta. “O que será que aquela moça faz da vida? Ela tem cara de advogada. Mas para onde ela deve estar indo? Talvez voltando da faculdade, é o mais provável. Deus, e aquele cara? Será que ele vai encontrar a sua esposa o esperando em casa com um belo jantar? Ou será que eles estão passando por uma fase ruim? Se ele tiver de fato uma esposa, claro.” Sim, eu sou tola a ponto de não ter nada para fazer ou pensar e querer desvendar os mistérios de um alguém que nem mesmo conheço. Mas em meio a isso, enquanto passo segundos, minutos e até horas nesses meus pensamentos alienados, crio perguntas não só daquelas pessoas, mas sim para mim mesma. “E eu? Será que a algum tempo estarei lá como eles? Segurando meus livros da faculdade ou voltando para casa ao encontro de meu marido?” Deus, isso é tão tolo. Nem sei mesmo o que sou hoje, como saberei o que serei amanhã? Porém, apesar de saber bem disso, não consigo de nenhuma forma não pensar em meu futuro não tão distante. Pensar em que profissão exercerei, se estarei casada, com filhos e o principal; se tudo quanto um dia desejei por fim irá se realizar. Se irei olhar para trás e me arrepender do que fiz ou do que não fiz. Se no passado tive a coragem de enfrentar tudo que meu veio a frente, enfim, se de fato serei alguém de se presar. O único que me ouvia atentamente era o sol, sem contestar um minuto ser quer. Minha mente naquele momento estava conturbada com pensamentos alienados que eu mesma criei. Sempre me encontro em situações como aquelas, cheia de indagações sem respostas concretas. Pensar no futuro é o mesmo que querer jogar seu cérebro inteiro fora. Já que eu não poderia fazer isso, continuei a roer as unhas e observar as pessoas. As perguntas não saiam, as incertezas continuavam. A única coisa que havia indo embora era o sol, que já tinha se pondo, deixando a lua aparecer e ouvir lá no intimo meus pensamentos permeáveis, sem ter a chance de contestar também.




theme por nostalgia-surreal; base por amar-gura e memorias agridoces; alguns detalhes da heylove e elasocurtejackdaniels; não seja um filho da puta, crie vergonha nessa sua cara, e faça o favor de não copiar nada aqui. Obrigado rsrs